12 de março de 2016

Natalia no pais da sabe-se-la-o-que

Eu tinha uns 15 anos, ou algo assim, quando eu disse pra uma amiga próxima que eu gostava de mulher. Não era nem uma questão pra mim. Eu falei, como se não fosse nada, e na verdade não era nada. 

Eu tenho alguma reserva com o que é que a minha família pensa disso, mas internamente, aqui na minha cabeça, não é nada. Gostar de homem, de mulher, e porque não se libertar desse binarismo, não quer dizer nada pra mim. Minha cabeça está tranquila com relação a isso. 

Por outro lado, falar pra qualquer pessoa que eu tenho depressão é ridiculamente difícil.

Eu evito a própria palavra, porque uma parte de mim fica me dizendo que isso não é depressão, é que eu sou mesmo uma pessoa horrível e inútil e é só isso. E eu fico esperando algum diagnóstico, algum profissional me dizer se é depressão mesmo, mesmo que eu já soubesse que é depressão há anos.

Já mais de um profissional me disse que eu tenho depressão, e uma parte de mim não acredita. 

Eu disse, praquela mesma amiga que eu disse ser bi, que eu tina depressão.

E se pra falar de sexualidade, não custou nada, pra falar sobre depressão eu tive que estar bêbada.

E ela me disse que já sabia, que ela tinha percebido mesmo antes de eu falar, que dava pra ver. 

Dá pra ver que eu tenho depressão. 

E eu ainda não acredito totalmente. 


Merda.


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