2 de outubro de 2014

Dia Internacional da Visibilidade Bissexual.

Fiquei sabendo tardiamente que dia 23/09 foi o dia internacional da visibilidade bissexual. Isso porque eu deixo meus feeds se acumularem até ter pilhas e pilhas de textos vagamente organizados caindo metaforicamente na minha cabeça, mas eu divago.

O Blog Bi-Sides organizou uma blogagem coletiva sobre o tema, e você pode ver outras participações aqui.

A primeira coisa que me bateu quando alguns textos apareceram no meu feedly foi "pra que diabos precisamos de visibilidade bissexual?" e eu quase ocultei sem ler. Mas num segundo pensamento, lembrei que talvez eu simplesmente não estivesse suficientemente inteirada do assunto pra entender de cara. Então dei uma olhada em alguns desses textos.

Acho válido mencionar que foi quando eu tinha 15 anos que eu comecei a me identificar como bissexual. Eu contei pra algumas amigas e elas ficaram aparentemente surpresas, mas sem nenhum drama. E não foi necessário explicar nada, porque eu tinha amigas legais assim (beijo Nicole!).
Mas não muito depois, eu comecei a implicar um pouco com as limitações do termo "bi". Apesar de eu não ter grandes conhecimentos sobre pessoas trans e não-binarias, eu entendia o suficiente pra saber que o mundo não se divide entre Homens e Mulheres. Então passei a pensar mais em panssexual do que bissexual.

O motivo de eu a principio não ter grande interesse nessa blogagem coletiva é que eu, bi ou pan, nunca me senti pessoalmente vítima de preconceitos específicos a esses grupos. Mas, estamos sempre aprendendo, e eu aprendi que existem sim problemas particulares das pessoas bissexuais.
Por um lado, muitas pessoas simplesmente não acreditam que existam bissexuais. Como unicórnios. Ou bacon demais. E essas pessoas que nos relegam ao universo da fantasia ficam constantemente questionando bissexuais como que se quisessem nos "desmascarar" e descobrir que somos realmente héteros, ou gays, dependendo da ocasião. Existe uma constante exigência de pessoas bissexuais "provarem" que são de fato bissexuais. 
Há também diversos esteriótipos de que mulheres bissexuais são todas "vadias" que jamais conseguiram fazer parte de um relacionamento. Que os homens bissexuais são gays que não conseguem se assumir. Em um grupo de lésbicas no facebook vi  diversas mulheres gays que odeiam mulheres bissexuais simplesmente pelo fato de serem... bissexuais. Parece familiar?

E eu... eu não costumo falar muito da minha própria sexualidade, primeiro porque não é um tópico aberto a discussões, e segundo, porque eu sei que existem pessoas que vão dar trabalho se eu falar. Não é nenhum segredo. Como eu disse, meus amigos sabem, as pessoas com quem eu moro sabem, e qualquer um que perguntar vai receber a verdade. Mas eu não posso negar que eu nunca voluntariei essa informação para a maior parte da minha família. Bom, esse blog é público, rs. Minha avó já leu. Não deveria ser um problema, porque minha irmã mais velha já está quase uns 3 anos casada com a minha cunhada maravilhosa, mas eu seria hipócrita se dissesse que não me sinto apreensiva com a questão. Meus pais não são mais homofóbicos do que a média, mas a média é homofóbica o suficiente. 

Então talves eu só não me sinta vítima de preconceito porque não dou minha cara a tapa o suficiente. Ou talvez a parte que me cabe é o medo de ser mais aberta sobre quem eu sou.

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