9 de julho de 2014

Diário das Noites em Claro

Não consigo dormir.

Todas as noites eu me deito, abraço meu travesseiro, fecho os olhos e rezo pra que essa vez seja um pouquinho mais fácil. Que hoje eu consiga apagar. Mas uma parte de mim sabe que não será diferente de ontem. Anti-ontem. Antes.

Eu sei que se eu ficar pensando demais vai ser mais difícil. Mas quanto mais eu tento não pensar, mais eu penso. Então eu tento pelo menos não pensar em coisas ruins.

E penso em tudo o que aconteceu hoje. E no que aconteceu ontem. E no que aconteceu nos últimos 2 anos, e como tudo aconteceu de um jeito que não era o que eu queria.  E revivo todos os momentos em que eu queria ter agido diferente, e dito alguma coisa, e feito algo que mudasse o rumo das coisas. Penso em todas as pessoas de quem eu queria ser um pouquinho mais próxima, mas que eu não fui capaz porque no fundo eu não acho que eu mereço essa proximidade.

Então eu lembro por que eu acho que eu não mereço a amizade das pessoas que eu gosto e pedaços da minha infância começam a emergir nubladamente na minha cabeça. 
Então eu choro.
Então eu tenho que mudar de posição porque o travesseiro molhado começa a ficar frio.
E daí eu ouço os sinos da igreja tocar e sei que são 5h da manhã.

E eu me desespero porque eu tenho aula daí duas horas.

Eu não vou a aula. Eu não ouço meu despertador. Quando a luz do dia fica muito clara, eu desperto e me sinto culpada. Então eu fecho meus olhos e fico onde estou, vivendo os sonhos que eu não vou me lembrar. As vezes eu me levando as 15h. As vezes as 17h. Quando minha mãe me manda um whatsapp.  

Eu pergunto à Ana como ela faz para dormir. Ela me diz pra tomar um chá. Eu tomo e me deito. E não durmo. Ela diz para ler um livro. Eu leio. E não durmo. Na verdade ela não faz nada para dormir. Ela dorme. E eu imagino o que é que as pessoas que não dormem fazem para dormir. Eu pesquiso na internet. A internet me manda tomar um chá. 

Eu resolvi comprar uma cartela de dramin - é muito cedo pra arrumar um tarja preta, não é? - porque desde muito tempo ouço tantos amigos falando que dramin da sono. Que quando vão viajar, é só tomar um, que dormem a viagem inteira. Até minha irmã me disse uma vez pra tomar um dramin e acabar de uma vez com isso. Então fui na farmácia me sentindo uma viciada e comprei uma cartela com 10 comprimidos de 100 miligramas. 

Na sexta tomei uma, por volta da meia noite, e esperei. Acho que dormi pouco depois das duas. Funcionou? Eu só me levantei as 17h no sábado. Não tinha nada para fazer mesmo. Tomei outra de sábado pra domingo, e não sei quanto tempo demorei para dormir. Tenho a impressão que o dramin deixa a memoria um pouco menos clara. No domingo eu fui dormir na casa da minha irmã. Antigamente eu dormi muito mais facilmente lá do que na minha própria casa. Mas não mais. Não consegui dormir até as 7h da manha, quando saí da cama e tomei 2 comprimidos. 

Eu dormi. Eu tenho uma memória vaga de acordar no meio da manhã sem conseguir fazer meus pés pararem de balançar, e não conseguir raciocinar que isso não fazia sentido. Isso é um efeito comum de dramin? Minhã irmã chegou em casa meio dia e fez almoço. Eu levantei pra comer, e depois do almoço nos fomos tirar um cochilo. Matei a aula da tarde. Fiquei dormindo até as 19h, e então fui para a aula da noite.

Não quis tomar dois comprimidos de novo nessa noite por causa daquela sensação estranha que tive de manhã, então tomei um e fui pra cama. Não lembro quando dormi. Pelo menos isso o remédio dá: No dia seguinte nunca lembro quanto tempo demorou pra dormir. Acordei as 17h. 

Fui pro centro assistir o jogo. Comi uma coxinha. Voltei, tomei banho, tomei um comprimido, e fui tentar dormir. Mas hoje não funcionou. Sei lá. Lá pelas 4h, eu desisti de dormir pra não matar a aula de hoje, já que semana que vem tem uma prova e tal. 

Bom dia

1 comentários:

Rubens Rodrigo disse...

Bom dia, 3 dias depois hahaha

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