9 de janeiro de 2014

Livro 2 - O Sol é para Todos - 100 livros em um ano

Era uma vez há muito tempo atrás uma caixa de livros que ia pro lixo. Uma menina muito boazinha (e bonita e inteligente) resolveu ajuda-los e os resgatou. Daí surgiram muitas aventuras...

Eu estava lendo um livro chamado A Mulher Imperial. Pra não me alongar, era uma merda. 

Então tinha que achar outro. 

E com esse título, eu realmente não tinha lá muita expectativa para ele. Me parece que o tradutor que se decidiu por "o sol é para todos" ou não entendeu a história, ou resolveu ser engraçadinho, ou não queria que ninguém jamais lesse o livro que ele estava traduzindo. 

Não sei nem porque quis salvar esse dentre tantos outros. Devo ter achado o título familiar ou algo assim. O livro não tem resumo no final nem comentários de ninguém nem nada. 



Então, desprovida de qualquer informação sobre ele exceto o nome da autora e essa ilustração, que também não é muito boa, me sentei e abri o bendito. 

Logo na primeira página, percebi que o livro era bem diferente do que eu imaginava. Eu tinha na cabeça alguma história de superação à la auto ajuda. Ao invés disso, me deparei com uma narrativa descontraída e deliciosa. Harper Lee conduz a história de maneira natural, sem quebrar o fluxo, com pitadas de humor aqui e ali. 

A história gira em torno de uma família tradicional do Alabama nos anos 30. Atticus Finch, viuvo, cria seus filhos Jen e Scout, com a ajuda de Calpurnia, cozinheira negra considerada parte da família. 

Atticus é o advogado designado a defender Tom Robinson, homem negro acusado de estuprar uma jovem branca. Convencido de que o homem teria sido falsamente acusado, Atticus trabalha exaustivamente para dar ao homem justiça. 

Enquanto isso, seus filhos, com a ajuda de um amigo chamado Dill que visita a cidade durante o verão, interessam-se por um de seus vizinhos, que vivia recluso em sua casa há muitos anos, após um delito juvenil. Os garotos tecem diversas teorias sobre a reclusão de Boo Radley, por vezes acreditando que a família o teria assassinado e escondido o corpo, outras que ele seria completamente demente e por isso não podia sair. 

Por vezes, as crianças tentam mandar mensagens a boo, ou espiar em sua janela para verificar se ele de fato estaria lá. Não receberam jamais uma resposta clara, mas depois de um tempo ele passa a esconder pequenos presentes para eles numa árvore, criando uma amizade silenciosa. 

Conforme o Julgamento de Robinson se aproxima, a família passa a ser alvo de comentários maldosos e ameaças por parte dos outros habitantes brancos da cidade, enquanto, paralelamente, a população negra passa a simpatizar cada vez mais com eles, chegando a receber as crianças em sua própria igreja, evento até então inédito. 

Enquanto desenvolve o preconceito racial, o livro também aborda a questão dos papeis de gênero na sociedade sulista. Scout, aos 8 anos, prefere a companhia de seu irmão e outros amigos meninos, usa sempre um macacão e é frequentemente admoestada por não se comportar como "uma verdadeira dama", sendo acusada por uma vizinha de desonrar a família toda, e sendo constantemente cobrada pela tia a aprender a se comportar adequadamente. Suas principais referencias femininas são Calpurnia, e Ms Maude, uma vizinha e amiga antiga de Atticus. Lee retrata ambas como mulheres independentes, inteligentes e com força de vontade.

Não quero estragar o final de ninguém, mas eu realmente recomendo esse livro, que une a narrativa leve aos temas profundas, e continua tão atual como quando foi publicado (infelizmente).


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