26 de setembro de 2012

Eu Já Fui a Menina da Coxinha

Essa é uma história de que eu me lembrei em algum ponto do ano passado, e que fez com que eu me sentisse repentinamente mais fracassada do que eu me lembrava... Meus amigos, por outro lado, acharam engraçadíssimo. Tenho certeza de que ela explica muitos dano no meu psicológico. Enfim, analise:

Eu estudei na mesma escola por 8 anos no ensino fundamental.  No primeiro desses anos, alguém teve a idéia de vender salgados prontos na hora do recreio.

Minha escola nunca tinha tido uma cantina onde você pudesse comprar porcarias gostosas pro lanche, só o que tinha era a merenda que variava de acordo com o dia, as vezes macarrão com molho, as vezes pão com manteiga, essas coisas sem graça. Então enroladinhos de salsicha e bolinhas de queijo eram um upgrade indefinível. 

Houve toda uma estrutura criada para vender os tais salgados. Como a galera que estudava lá não era exatamente abastada, a direção resolveu vender os salgados só duas vezes por semana, assim, as crianças com menos dinheiro não se sentiriam constrangidas por não poder comprar salgados todos os dias, já que ninguém podia. 

Pra comprar os salgados, você tinha que comprar uma ficha primeiro, e alguém era incumbido de passar de classe em classe vendendo pros alunos. Os salgados eram encomendados baseando-se no numero de fichas vendidas no dia. De vez em quando, quando a pessoa resolvia guardar a ficha pra outro dia, sobrava salgado. E de vez em quando, quando as crianças resolviam gastar as fichas compradas em outros dias, faltava salgado. Não era exatamente um sistema genial.

Os salgados eram bem baratos. Acho que custavam um real ou coisa assim (faz 10 anos isso, gente). Por um tempo até tentaram vender refrigerante também, mas desistiram.

Minha mãe, num arroubo de bondade, resolveu me dar dinheiro pra comprar salgado quando tinha. Eu fiquei imensamente feliz. Ah, a vida era boa. 

As professoras geralmente deixavam os alunos do primeiro anos sair uns 5 minutos antes dos outros, provavelmente pra não sermos esmagados por pessoas duas vezes maiores que nós. Pra quem ia comprar salgados, isso era uma grande vantagem, já que nós chegávamos lá antes de todos e podíamos escolher qualquer salgado que quiséssemos. Eu, no entanto, independente da variedade, sempre queria uma coxinha. 

Ah, é, naquela época não tinha essa besteira de não vender fritura em escola, como se isso é que fosse matar as crianças, ou sei lá, fazer delas obesas com as veias entupidas de colesterol e etc, e não o fato de os pais delas servirem frituras e porcarias pra elas todos os dias. Só o salgado que é malvado.
Bons tempos.

Mas um dia, não sei se a professora se esqueceu de nos liberar, ou se tínhamos feito alguma coisa ruim e estávamos de castigo (acontecia de vez em quando), nós só saímos para  recreio junto com todas as crianças mais velhas, forte e assustadoras (eu era meio medrosa), e eu tive que enfrentar uma fila imensa para pegar a minha coxinha. 


Quando a minha vez chegou, a coxinha tinha acabado. 


Eu estendi a ficha pra moça do salgado, e olhei em volta, desconsolada. Não havia coxinhas a vista! Enquanto todas as pessoas da fila me apressavam, mal encaradas, e a moça me olhava, impaciente, eu entrei em pânico e fugi. Eu saí correndo do pátio e fui me sentar num dos bancos do corredor, chorando sozinha.

Não demorou muito e a Dona Michela, que trabalhava na escola nunca entendi direito fazendo o que, veio atrás de mim. Ela perguntou por que eu estava chorando, me consolou, me ofereceu outro salgado, e eu falava "mas eu só gosto de coxinha!" e chorava mais.

Bom, acabou que naquele dia eu fiquei sem salgado mesmo. Mas dali em diante, todos os dias em que se vendia salgado, a moça guardava uma coxinha pra mim, independente da hora em que eu chegasse. Então foi uma coisa boa, afinal.

E foi assim que eu fiquei conhecida como "menina da coxinha" por 8 anos.

4 comentários:

Nick disse...

"No primeiro desses anos, alguém teve a idéia de vender salgados prontos na hora do recreio."
Ri muito.

Nicole Nicolela disse...

Ai, meu chuchuzinho ! Que vontade de te morder ! huahuaha

Eu também, por quase toda a minha vida, só gostei de coxinhas ;D

Natalia Gruber disse...

Vocês não estão levando a sério o tamanho do drama que foi este evento... Pelo vistou vou ter que contar a história do palhaço...

Nicole Nicolela disse...

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