11 de agosto de 2012

Conversando Com Livros

No outro dia nós começamos a desencaixotar os livros da vovó. Ela resolveu se livrar de um monte deles, mas primeiro levou lá pra casa, caso a gente quisesse salvar alguma coisa. 

Minha avó tinha todo tipo de livro; duzias de livros de culinária, livros de interpretação de sonhos, tarô, religiões orientais. Romances bons e ruins. Uma edição linda de Morro dos Ventos Uivantes que eu e minha irmã ficamos horrorizadas que ela fosse jogar fora. Livros de direito que podem ser da época em que ela fez faculdade. Revistas de bordado. Eu nunca vi minha avó bordando em toda minha vida. 

Meu pai escolheu alguns; eu e minha irmã escolhemos os nossos e o resto esta guardado numa caixa para ser trocado em alguns sebo. 

Bom, eu sempre soube que minha avó fez direito e tem interesse em cozinha. Eu sabia que ela gostava de ler romances. Mas interpretação de sonhos é algo que eu nunca havia pensado que estaria na prateleira dela, ou cartas de Tarô. Isso me fez pensar no quanto nos podemos aprender sobre uma pessoa observando os livros que ela lê. Porque os livros que lemos revelam, de certa maneira, nossos interesses. 

Meu pai começou anteontem a sua grande arrumação periódica. De vez em quando, ele olha em torno de si, e, percebendo que vive em meio a um caos, resolve arrumar tudo a sua volta. Dessa vez começou no quarto dele. Ele tem umas gavetas cheias de tralhas que ele jura que não é ele quem joga ali. Algumas coisas estão lá há anos, literalmente desde a minha infância. 

Mas ao mexer nas gavetas, e prateleira, e coisas que estão simplesmente amontoadas pelo chão (eu puxei minha desorganização dele), papai notou que não dá pra guardar tudo aquilo no quarto organizadamente. Após tirar alguns baldes de lixo, ele resolveu guardar algumas coisas no escritório, que também serve de quarto da minha avó quando ela esta na cidade, e de estoque de quinquilharias. É claro que o escritório também está uma baderna. É lá que estão guardados a maior parte dos livros dele. Para abrir espaço pras coisas que ele está tirando do quarto, ele resolveu se desfazer de alguns livros. 

Novamente, ele perguntou se tem alguma coisa, dentre os que ele vai passar pra frente, que alguém queira resgatar. Tinha alguns. Meu pai também é um leitor de romances, mas o que ele tem em abundancia que minha avó não tinha são aqueles livros, muitas vezes escritos por jornalistas, com relatos reais. Ele tem No Ar Rarefeito, que é a história de uma subida ao everest que deu merda e metade das pessoas morreram, outro do mesmo autor sobre um rapaz que morreu algumas semanas após ter decidido sobreviver a base de raízes e que deixou uns diários, e boa parte de tudo o que Amir Klink escreveu. Esses juntam o interesse do meu pai em histórias reais com o seu amor por veleiros. Coisas de "aventureiro".

Ele também tem alguns títulos de romance histórico, e alguns livros que não são de forma alguma as obras primas de seus autores, como títulos pouco conhecidos de Hemingway, e alguns clássicos que eu nunca vi ele lendo, mas nunca se sabe. 

Eu olho pra minha própria prateleira de livros, e o que ela mostra? Clássicos, alguns lidos, alguns por ler; romance policial estilo Conan Doyle e Agatha Christie; alguns romances que eu escolhi aleatoriamente na prateleira de uma livraria, alguns que pagaram seu preço, outros nem tanto; meus livros de criança; muitos, muitos livros de aventura. O que será que uma pessoa que não me conhecesse aprenderia sobre mim vendo meus livros?

E você? O que você acha que seus livros dizem sobre você? Diga nos comentários.

1 comentários:

Luana Andrade disse...

Tão introspectivo... Um encanto. Me fez pensar nos meus livros.

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